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Archive for the ‘música’ Category

Música é usada como terapia alternativa

Música para os ouvidos, para o bem estar e para terapia. Esse é o objetivo da musicoterapia, que pode estar presente na área da saúde, nas escolas, no ambiente organizacional das empresas, entre outros campos, e que se caracteriza pela utilização da música como terapia e não em terapia. Como explica o musicoterapeuta Rodrigo Melo, que estuda música desde criança e trabalha na especialidade de saúde com crianças e idosos, quem exerce essa profissão é um agente mediador entre a música e o paciente.

Os pacientes entram nessa terapia encaminhados de outros profissionais, como psicólogos e psiquiatras, quando o problema não é resolvido e, antes de ser dado início ao tratamento, o paciente passa por algumas etapas. Primeiro, é feita uma entrevista com os pais (no caso de crianças) ou com o próprio paciente (no caso de idosos). Depois, o paciente passa por uma verificação ou testificação, que consiste na mostra de vários instrumentos para que ele escolha os de maior afinidade e toque do jeito que quiser. Logo após, o profissional tenta criar um vínculo com o paciente, foca em um objetivo e faz o planejamento de como será o tratamento.

O mais importante, destaca Rodrigo, é que o profissional tenha uma vivência sólida em música. É preciso dominar o fazer musical, pois nas sessões de terapia geralmente surgem muitas manifestações musicais dos pacientes e o musicoterapeuta deve estar preparado para lidar com elas. “O tratamento revela muitas surpresas, principalmente daqueles que não tem nenhuma experiência”, explica.

Rodrigo Melo tem formação em piano, mas também faz uso de instrumentos de sopro, percussão e de cordas. Ele atende crianças hiperativas, autistas ou com dificuldades de se comunicar, e idosos que sofrem com mal de Alzheimer, perdas de memória ou com depressão devido à velhice. Ele afirma que o paciente não precisa saber tocar nenhum instrumento e nas sessões, as pessoas em tratamento acabam produzindo músicas, compondo paródias e, nesse instante, entra o amplo conhecimento musical que o musicoterapeuta deve ter.

Rodrigo explica que o tratamento funciona em curto prazo, mas não faz milagres, pois há pessoas que não se dão bem com a terapia. É por isso que o profissional deve criar um vínculo terapêutico e aproveitar o momento para se envolver na vida do paciente. “O musicoterapeuta não leva um CD com qualquer música para o paciente ouvir. É fundamental que a gente sonde o gosto do paciente e principalmente sua história. No caso de idosos, usamos músicas pautadas no passado para fazer um resgate de memórias, e com as crianças, que revelam um gosto maior pelos sons melódicos, damos preferência às músicas infantis, que são ricas em gestos e ajudam a melhorar a comunicação”, finaliza.

Por: Isabel Nunes

Ensino obrigatório de música é pouco cumprido em Teresina

Perto de completar o prazo estipulado pelo governo federal para adequação das escolas públicas e privadas ao ensino de música, muitas instituições de ensino ainda estão aquém desta meta. O Colégio Sagrado Coração de Jesus que, há dois anos, contava com a disciplina de música da Alfabetização à 3ª série do Ensino Fundamental, em nada ampliou esses dados já que o conteúdo de música atualmente é ensinado até o 4ª ano. O 4º ano corresponde à antiga 3ª série, de acordo com os novos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).

Sancionada pelo presidente Lula em 18 de agosto do ano de 2008, a lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas públicas e privadas não é muito clara. A norma fala que “a música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular” acrescida de dois artigos. Um que determina o limite – 3 anos – dado pelo governo brasileiro para que as escolas se adaptem ao novo sistema. E o outro, da data de vigoração. Até então os PCN contavam com a disciplina de Artes, que tinha como foco três segmentos: Artes Plásticas, Artes Cênicas e Música. Poucas escolas, principalmente da rede pública, davam ênfase ou, mesmo, ministravam o conteúdo de música. Por causa de problemas de infra-estrutura.

Estes problemas estruturais estão relacionados aos equipamentos necessários para o ensino de música, como instrumentos musicais, por exemplo. Maria da Cruz Bezerra, coordenadora da Unidade Escolar Duque de Caxias, no bairro Cristo Rei, explica que nem sempre as verbas repassadas pelo governo federal são suficientes para implementar mudanças desse porte.

Nas escolas privadas, problemas deste tipo não foram citados. Ao invés deles, a escassez de profissionais aptos a ensinar. No ano passado, a então coordenadora pedagógica do Colégio Sagrado Coração de Jesus (CSCJ), Teresinha Gomes da Silva disse ser esta a grande dificuldade: encontrar profissionais que estivessem aptos a ministrar o conteúdo de música, mas que também tivessem domínio das normas pedagógicas. Este ano, o problema ainda não foi resolvido.

Atualmente, o CSCJ conta com três professores de Música. Lilia Dias Braga, professora da disciplina do CSCJ e também da rede pública, diz que o segundo ano não tem mais a disciplina por falta de alguém disponível a assumir a turma. “Uma das irmãs fica no terceiro[ano], mas ela não tem disponibilidade e já está cansada. Só está com essa turma porque eles[os alunos] querem muito. Eu não tenho mais disponibilidade porque trabalho em mais três lugares, além do CSCJ. Trabalho em uma escola da prefeitura, uma do estado e tenho uma escolinha de música”, justifica ela.

O mercado piauiense continua carente de pessoas licenciadas em Música. O fato não chega a surpreender já que dentre as instituições de ensino superior do estado, apenas a Universidade Federal do Piauí oferece o tipo de formação exigida pelas escolas, que é a licenciatura. A professora Lilia considera isso um reflexo de uma conjunção de fatores. “Aqui não existe uma política de investimento forte no setor da educação quando se fala de música. As universidades privadas também não se arriscam a oferecer o curso que forma professores por medo de não haver demanda.”

Lilia ainda cita o ambiente cultural no qual as pessoas, em específico, as crianças, estão inseridas. “Nós temos que aceitar a bagagem cultural que a criança traz, mas também temos que abrir novos caminhos para elas. O gosto estético dos meus alunos, por exemplo, se compõe de músicas como Rebolation. Eles têm pouco conhecimento de música erudita ou mesmo música popular que tenha mais qualidade. Se você pergunta se já ouviram falar de As Quatro Estações, eles imediatamente associam à música de Sandy e Júnior e não à obra de Vivaldi. Isso tem relação com o que a criança ouve quando está em família. Eu amo música clássica, mas nunca a ouvi em minha família. Nesse sentido, ainda está muito a desejar.”, finaliza.

Por Ludmila Barbosa

Categorias:Educação, música, Teresina

Ensaio Vocal comemora 20 anos de estrada com shows

Levando ao público canções do repertório piauiense e da música popular brasileira, o grupo Ensaio Vocal comemora seus 20 anos com três shows no Teatro da Assembleia, nessas sexta (18), sábado (19) e domingo (20), com ingressos a R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia entrada. Criado em 1990, o grupo já se apresentou em vários estados brasileiros e Europa.

Composto atualmente por Luíza Miranda, Vanda Queiroz (sopranos), Fernanda Libório, Luciana Libório (contraltos), Aurélio Melo, Wagner Ribeiro (tenores), Paulo Aquino e Ananias Júnior (baixos), o Ensaio Vocal tem em sua história participações no Festival da Rede Record, em 1990, e no Canta Nordeste, da Rede Globo, em 1993 e 1995, e dois CDs gravados: “Canto do Povo de um Lugar”, de 1990, que recebeu crítica positiva no Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, e “Ensaio Vocal canta Chico Buarque”, apresentado em Lisboa, Coimbra, Guimarães e Porto, em Portugal, e Madri, na Espanha.

“O repertório dos shows é uma retrospectiva dos trabalhos desses 20 anos”, afirmam os integrantes do grupo no palco do Teatro da Assembleia. A setlist vai desde interpretações de músicas próprias, como “Que Xote”, premiada no Canta Nordeste, passando por Tom Jobim e Chico Buarque, até chegar em Beatles e Bee Gees, estas últimas integrantes do show Baladas Românticas, de 2002. E, em clima de Copa do Mundo, o Ensaio Vocal encerra a noite com o samba “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.

Por: Lígia Melo

Reforma de instrumentos em Teresina é mais viável que fabricação

Para começar, é preciso selecionar um tipo de madeira, deixá-la em um processo de secagem e usar um molde para o corte do corpo e do braço de um instrumento para lapidá-lo. Depois, deve ser feito o acabamento através da pintura com poliuretano (secagem rápida) ou nitrocelulose (mais demorada). De acordo com o desejo do cliente, faz-se a montagem, já com a parte elétrica. E por fim, é feita a regulagem do produto final através de afinação e demais detalhes.


Essa é uma descrição simples e rápida da arte de Luthieria: o processo de fabricação de um instrumento. Mas na prática, esse processo é bem mais complicado, pois exige bastante tempo e recursos. Em Teresina, os procedimentos para a realização desse trabalho ainda são bem arcaicos e por isso, há profissionais que trabalham apenas com conserto e reforma geral de um instrumento.

Trabalhando com manutenção de instrumentos há seis anos, Jorge Luiz, dono de uma loja de artigos musicais no centro de Teresina, afirma que fabricar instrumentos não é difícil, mas a dificuldade que os profissionais da área podem encontrar em Teresina é a falta de matéria-prima, que vai desde a madeira usada até as ferramentas de trabalho. Ele explica que a reforma ou o conserto de um instrumento é mais trabalhoso porque requer noção de fabricação, na qual é feita de acordo com a necessidade do usuário.

Apesar de não gostar de ser chamado de Luthier (profissional responsável pela idéia e fabricação de instrumentos), Jorge já trabalhou com confecção, mas decidiu não continuar nessa área porque, no seu ponto de vista, existe muita desconfiança por partes dos teresinenses em aceitar o que é fabricado aqui. “Como em todas as profissões, existem aqueles que gostam do seu trabalho e outros que já criticam, desvalorizam. Isso faz com que  a atividade se torne inviável”, diz.

Não só pela simples opção de profissão, mas também por visão de mercado, Jorge decidiu consertar instrumentos devido à pequena quantidade de profissionais na área.  Para isso, ele fez cursos para aprender a fabricar e consertar instrumentos, mas acredita que está na essência da pessoa a possibilidade de se inserir na indústria da música. “É preciso ter conhecimentos de mecânica, física, eletrônica, só que, além disso, é fundamental gostar do que se faz para se aperfeiçoar”, afirma.

Questionado pela grande procura de consertos, Jorge afirma que tudo depende do valor que a pessoa dá ao seu instrumento. “As pessoas que mais me procuram para fazer a reforma de instrumentos são músicos. Se essa reforma for para o uso propriamente dito é bom fazer a manutenção”, pondera. Geralmente uma reforma dura seis meses e pode custar mais caro do que um instrumento novo, devido à desmontagem e troca de peças. Nesse contexto, Jorge afirma que os músicos são bastante perfeccionistas, dão valor ao trabalho de manutenção e têm um valor estimativo pela sua ferramenta de renda e diversão.

Por: Isabel Nunes

Mulheres no vocal se destacam em apresentação no Raízes

Postura e talento foi o que marcou a performance das vocalistas que se apresentaram no Woman Night, que realizou a 2ª edição no último sábado. O evento levou três bandas covers de grupos internacionais para o palco do Espaço Raízes. Foram mais de três horas de show com Loud and Clear (cover de Cranberries), Too Much (cover de Roxette) e Silverwing (cover de Arch Enemy).

O Woman Night II, “a noite das mulheres”, prestigia as bandas que têm mulheres no vocal e segundo o organizador e idealizador do evento, Marcélio Lima, a idéia central é mostrar a versatilidade feminina independente de estilo. “As mulheres conseguem se impor mesmo com o preconceito que ainda existe. As pessoas que compareceram ao evento mostraram respeito por cada banda e isso mostra que estão absorvendo a proposta”, disse Marcélio.

A primeira edição do evento aconteceu no início deste ano, também no Raízes, e a terceira já está programada para o segundo semestre de 2010, provavelmente no mês de agosto ou setembro. Sobre o fato de o evento ser somente de covers, Marcélio explica que há um problema em encontrar bandas com mulher no vocal que tenham músicas próprias e, por isso, o investimento em apresentações com covers, que são muito bem aceitos pelo público.
Mesmo os palcos tendo ainda predominância masculina, as meninas que fizeram os covers representaram muito bem as bandas que são consagradas pelo vocal feminino. De acordo com Camila Eustachio, vocalista da Loud and Clear, que abriu a noite, no estilo pop não há preconceito com as mulheres que cantam e, por ser uma amante da banda Cranberries, da qual faz cover há 10 anos, tem carta branca no grupo para opinar sobre tudo.
A segunda banda a se apresentar foi a Too Much que atraiu públicos diferenciados com o repertório do inesquecível Roxette, além de ter agitado os presentes com singles de Cindy Lauper e da atual Lady Gaga. Segundo a vocalista, Luana Campos, as mulheres que cantam têm um maior destaque em uma banda composta somente de homens e fazem com que outras mulheres de identifiquem com essa representação. Para o baixista da banda, Garem Vilarinho, geralmente as mulheres cantam melhor que os homens e mesmo havendo preconceito, principalmente no metal, as pessoas que escutam e participam de eventos como esse acabam gostando do vocal feminino.
Delicadamente agressiva foi a performance da vocalista Natália Melão, da banda Silverwing, que encerrou o evento. Fazendo o cover de Arch Enemy, Natália mostrou que mulheres podem cantar metal e revelou que ainda se sente envergonhada por participar de uma banda só de homens, mesmo cantando há muito tempo. “As mulheres estão ganhando um espaço cada vez maior na música e o Woman Night é uma oportunidade para mostrar que mulheres têm competência para qualquer estilo”, disse Natália.
Por: Isabel Nunes